Saturada está a população com a ineficiência do Estado

O governo federal ofereceu ajuda ao Estado para enfrentar a onda de crimes em São Paulo, começando pela ocupação de Paraisópolis segundo o modelo implantado na comunidade do Alemão, no Rio de Janeiro. O secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, não gostou. Ele disse que o Estado está presente em Paraisópolis. Citou como exemplo a existência de uma base da Polícia Militar na favela. Se existe essa base, eu desconheço. Nunca vi nem ouvi falar. O secretário não mencionou, mas certamente não deve ignorar que a AMA de Paraisópolis deixou de funcionar à noite depois que uma médica sofreu sequestro relâmpago ao estacionar seu carro naquela unidade de saúde. Uma igreja evangélica, na Giovani Groncchi, em frente à favela, foi alvo de assalto por uma quadrilha munida de armas pesadas. Há um clima de terror no bairro, que não se resolverá com as ações como a operação Saturação, que parece peça de marketing. Colocam-se muitos policiais ali, posam para fotos, ficam um tempo e depois saem. A situação volta ao controle dos bandidos até se tornar insuportável e então volta a PM, posa para fotos, fica alguns dias e vai embora. No intervalo entre uma peça de marketing e outra, as pessoas sofrem com a violência. A operação Saturação é uma aspirina para um paciente que precisa de UTI.

A crise na segurança pública em São Paulo é muito mais grave do que se divulga. Um dado é estarrecedor: segundo a comissão de segurança pública da OAB São Paulo, no primeiro semestre deste ano, 200 policiais militares foram presos por envolvimento em crimes como explosão de caixas eletrônicos, arrastão em condomínio e até sequestro relâmpago. São homens que vestiam farda como os que agora estão em Paraisópolis. A tropa fardada do Estado está contaminada e é preciso agir ainda que a situação piore. Hoje, quem controla os presídios é o PCC, daí a razão de não haver motins nas cadeias. Esse controle foi conquistado aos poucos, mas quem conhece o sistema de perto sabe que tudo começou quando o Estado fez vistas grossas para a organização dos presos e até permitiu que funcionários corruptos se beneficiassem disso, com um comércio de transferência de presos. Hoje, por R$ 5.000, o detento escolhe o local onde vai cumprir sua pena. Sai de um local e vai para outro. A lista de presos beneficiados com saídas temporárias é outro ponto a ser investigado. Tem líder da facção criminosa saindo nessas ocasiões, para não voltar. Quem coloca o nome deles nestas listas? A que preço?

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