Fora de controle

Em Ribeirão Preto, cinco pessoas foram assassinadas e nove feridas, na sexta-feira. Em Osasco, nesta madrugada, foram mais três, e cinco feridos. Nos dois casos, pessoas encapuzadas entraram em locais suspeitos de tráfico de drogas e dispararam. Tudo indica que os assassinos são policiais militares e o fazem para vingar a morte de colegas de farda que estão sendo assassinados. Tudo começou quando o PCC, que tem o controle dos presídios do Estado de São Paulo, editou uma norma segundo a qual, para cada membro da facção morto pela PM, dois policiais militares serão executados. Em resposta, nesta semana, policiais decidiram: para cada PM morto pela facção, cinco bandidos morrerão. No cumprimento nesta ordem, em ambos os casos de estruturas paralelas do Estado, pessoas sem nenhum envolvimento com o crime estão morrendo também, pela simples razão de que estavam no lugar errado, na hora errada. Isso significa que o governo do Estado, que já havia perdido o controle dos presídios, perdeu agora o controle de seu braço armado, a PM.

Até agora, as autoridades eleitas para zelar pela segurança dos paulistas vinham dizendo que o PCC é uma lenda, que no máximo 40 pessoas fazem parte da facção e que esta é um cooperativa para praticar crimes. Não é verdade: o PCC assumiu feições de rede, como a Al Qaeda. O comando decide, a base cumpre. Talvez os bandidos nem se conheçam pessoalmente, mas são movidos pelo mesmo objetivo: solapar as estruturas de um Estado enfraquecido. É hora de reagir, não permitindo que a PM se transforme em grupo de justiceiros, mas cobrando de autoridades comportamento de estadistas, para por fim a uma situação que beira a barbárie.
Há 11 anos, a Rede Globo editou uma norma proibindo que seus profissionais citem o nome PCC em suas reportagens. De lá para cá, o PCC só cresceu. O governo do Estado também criou a lenda de que o PCC é uma lenda. De lá para cá, o PCC só cresceu. Fingir que o problema não existe não o fará desaparecer.

A foto acima foi publicada no jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, onde estive no último fim de semana, a trabalho. Vi no município, um dos mais prósperos do Estado, pessoas assustadas, que não falam em outra coisa, senão no crime. As autoridades diziam que a chacina eram resultado de confronto entre traficantes. Não creio. É a PM, em seu horário de folga, vingando morte de colegas de farda ou de agentes penitenciários.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *