Paraisópolis foi notícia sábado, na coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Sob o título “Favela no Jockey”, a coluna informa que o Jockey Clube de São Paulo sediará sexta-feira a solenidade de formatura de 600 adultos alfabetizados pela Escola do Povo, uma ONG que se propõe a acabar com o analfabetismo na favela. Hoje, o Estado de S. Paulo noticia que os alunos de arquitetura da Universidade Columbia, de Nova York, realizaram uma exposição e farão um livro sobre a segunda maior favela de São Paulo. Eles sugerem novas casas no local para os moradores que estão sendo desalojados para a abertura de uma avenida e para a construção de ambulatórios médicos e escolas. Interessante é a declaração do professor Alfredo Brillembourg, da universidade Columbia. Ele tem uma visão otimista sobre comunidades como Paraisópolis. “As favelas são o que existe de mais original nas cidades e ensinam mais sobre sustentabilidade do que a chamada cidade formal. São próximas de tudo. Seus moradores não usam carro. Na verdade, esse tipo de ocupação degrada menos o meio ambiente do que o padrão de urbanização que hoje entulha as ruas de automóveis, poluição e violência”, afirmou ele, em entrevista feita pelo jornal, em novembro do ano passado. Analisando as palavras do professor, vê-se que o conglomerado Cidade Jardim, cujo shopping foi aberto no sábado, segue esse conceito, só que milhões de vezes mais caro (ou sofisticado). No Cidade Jardim, idéia é que todos passem 90% de seu tempo ali. A diferença é que, enquanto uma casa em Paraisópolis custa entre 20 e 30 mil reais, um apartamento na ilha do shopping custará entre 1,6 milhão e 18 milhões de reais. Mas que o conceito é o mesmo, não se pode duvidar.
Semelhanças entre os desiguais
junho 2nd, 2008
Joaquim de Carvalho 

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